TEXTOS & ARTIGOS
"PELE E SISTEMA NERVOSO"

 

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O ser humano pode passar sua vida toda cego, surdo e completamente desprovido dos sentidos do olfato e paladar, mas não poderá sobreviver de modo algum sem as funções desempenhadas pela pele. A experiência de Helen Keller, que ficou surda e cega ainda na infância e cuja mente foi literalmente criada através de estimulação de sua pele, mostra-nos que, quando os outros sentidos estão prejudicados, a pele pode compensar suas deficiências num grau extraordinário.

A pele além de ser o maior órgão do corpo, os variados elementos que a compõe têm uma extensa representação a nível cerebral. Montagu, autor do livro Tocar, afirma: “Na qualidade de estudante e de professor de anatomia humana fui sendo ao longo dos anos repetidamente confrontado pela espantosa extensão da área tátil do cérebro, geralmente mostrada nas ilustrações dos manuais.”

Tanto a pele quanto sistema nervoso originam-se da camada de células embriônicas, a ectoderme. A ectoderme constitui uma superfície geral que envolve todo o corpo embriônico. Segundo Frederic Wood Jones, anatomista inglês, “o médico e filósofo sábio é aquele que percebe que, quando considera a aparência externa de seus semelhantes, está estudando o sistema nervoso externo e não simplesmente a pele e seus apêndices. O rosto e a mão como “órgãos dos sentidos” não só transmitem ao cérebro informações sobre o meio ambiente, como também lhe passam determinadas informações relativas ao “sistema nervoso interior”.

A abordagem psicossomática constitui uma contribuição inestimável para nossa compreensão da influência da mente sobre o corpo e da extraordinária sensibilidade da pele para reagir a perturbações originadas a nível central. O fato de pensamentos perturbadores poderem irromper na forma de furúnculos na pele, de urticária, psoríase e muitas outras alterações epidérmicas poderem originar-se na mente, não é mais novidade. Há referências desse relacionamento no livro pioneiro de W. J. O Donovan, Dermatological Neuroses.

Foi feito um progresso considerável à partir destas descobertas e grande parte dos avanços estão admiravelmente registrados por Maximilian Obermayer em seu livro Psychocutaneous medicine. A abordagem psicossomática no estudo da pele pode ser vista como centrífuga; quer dizer, procede da mente em direção do tegumento ou uma abordagem centrípeta, ou seja, a influência do toque na pele em direção a mente.